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O Místico e o Homem
Comum
Era final de ano,
quando o místico estava enfermo e foi parar num hospital. Ao seu
lado um homem comum fazia companhia a ele. Parecia triste. Por
isso o místico resolveu perguntar, para tentar animar o homem:
- O que faz da vida?
- disse, para utilizar sua resposta e dar-lhe uma orientação
logo em seguida. Algo que aprendera no caminho e que pudesse
mudar a vida do homem comum.
- Sou relojoeiro.
- E é feliz?
- Não conheço homem mais feliz do que eu - respondeu e
surpreendeu o místico.
- E você, o que faz? - perguntou o homem comum.
- Escrevo sobre a filosofia da vida, através dos caminhos
mágicos. Mas não se iluda, apesar de ensinar, ainda sou aprendiz
dos Mistérios. Mas e você, tem alguma religião, estuda algo
nesse sentido?
- Não. Eu nem acredito em Deus, se quer saber. Apenas realizo
meu trabalho, coisa que mais gosto no mundo, com Amor. Afinal,
apesar de não acreditar em Deus, acredito no Amor e se Deus é
Amor, como todos dizem, estou seguro, pois sei que sigo o
caminho certo. E voltando ao assunto, trabalhando com
Amor, coloco todos os meus bons sentimentos nesse sentido e sei
que ele acaba sendo transmitindo aos outros. Minha relojoaria
está sempre cheia, como prova disso.
O místico silenciou, riu de si mesmo e aprendeu mais uma nova
lição em sua caminhada. Que cada um aprende a Verdade à sua
própria maneira. Cada um, a seu modo, encontra O Sagrado Caminho
de Si Mesmo. E encontra a Divindade Criadora, de uma maneira
diferente, mas ainda assim A encontra.
- Siga o seu Caminho, meu amigo. E seja feliz, pois esse é o
único e maior Desejo dos Deuses.
Os dois recuperaram a saúde e saíram do hospital antes das
comemorações do fim de ano. E, mesmo apesar das
diferenças, mesmo o místico sendo forte na fé e o homem comum um
Ateu, se tornaram grandes amigos. Pois uma Força
Maior unia os dois numa mesma sintonia: o Amor, que existe para
qualquer pessoa capaz de abrir o seu coração.
Um bom final de ano!
Lisandro
Serviu de inspiração
um texto extraído
do livro A Música do Mundo

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