O Místico que não
Acreditava em Deus 22/08/2009
Este título é paradoxal mas combina
bem comigo. Eu sempre fui muito cético. Sempre acreditei e duvidei
de Deus ao mesmo tempo. Sei que muitas de minhas dúvidas e
aflições provém disso. Mas nunca pude acreditar em alguém que
nunca vi. Para mim, não é racional acreditar em algo sem ter
provas disso.
Bem, para aqueles que começaram a ler
e se escandalizaram com o texto, eu estou dando algo para você
pensar, para mexer com a sua vida, para você mudar. Nós devemos
sim, questionar. Já recebi inúmeras respostas de que não devemos
questionar o criador. Mas que Deus é esse, que nunca dá as caras e
quer que a gente acredite nele? Se Deus é cheio de Amor, com toda
certeza compreende aqueles que duvidam d'Ele.
Sou fã de Tomé ( o "santo"). Ele era o questionador. E foi por
isso que Jesus deve ter escolhido ele. Gostou do cara porque não
era ingênuo. Não acreditava em tudo só porque alguém chegava e
falava para ele. Ele queria provas. E quando Jesus lhe disse:
"Você creu
porque me viu? Felizes são os que não viram, mas assim mesmo
creram!", o disse na verdade,
porque realmente é mais feliz a pessoa que consegue crer sem
precisar ver nada, porque traz dentro dela aquela certeza, a
intuição forte e certeira de que a Divindade chamada Deus, Pai e
Mãe e seu mundo espiritual, existe. Tomé não era tão feliz, porque
não trazia essa certeza dento de si. Mas era amado por Jesus,
ainda mais do que os outros, porque Jesus o compreendia. Jesus
sabia que ele sofria por não trazer a certeza intuitiva da
existência do Invisível. E Jesus o chamou para segui-lo porque
tinha compaixão dele, e o respeitava porque era necessário ter
muita coragem para duvidar da existência de Deus, da vida eterna e
viver com terror de que tudo um dia iria terminar, para sempre.
Jesus admirava Tomé, porque não aceitava nada cegamente.
Não tenha medo. Se você questiona,
questione ainda mais. A Biblia está cheia de alterações e
contradições escritas pelos homens e por pessoas políticas. Isso é
fato, comprovado historicamente (pesquise materiais imparciais
sobre a Bíblia - não aquele escrito pelo padre acadêmico ou pelo
pastor da igreja - e verá o que digo - leia o livro "A
Revelação dos Templários" - os caras são protestantes, mas
imparciais). Toda parte que fala sobre danações, pecado, etc, foi
criada para que as pessoas ficassem com medo e corressem logo para
dentro da Igreja. Quando você lê na Bíblia que os incrédulos vão
para o fogo do inferno, se parar só um pouquinho para pensar, vê
nisso um ato de controle. Que deus cheio de Amor mandaria seu
filho para o fogo do inferno? Que deus condenaria um filho que não
acredita nele por nunca tê-lo visto, ou experimentado uma
manifestação espiritual? Um Deus de verdade compreende. Um Deus de
verdade diz: "Tu não credes em mim. E eu te dou razão. Nunca me
viste pessoalmente. Apenas ouve aquilo que te falam sobre mim. E
isso é uma experiência individual. Ninguém pode te obrigar a crer
pela experiência pessoal que teve. Tu não credes, mas é melhor do
que aqueles que fingem que crêem por ignorância e ingenuidade.
Continua a me buscar. Pois foi para isto que te criei: para
encontrar a verdade com tua própria inteligência e principalmente,
para ser feliz. Por isso te digo: só a verdade vos libertará. E
só o Amor conhece o que é verdade. Mesmo se não me
encontrares, no Amor podes acreditar, mesmo sem vê-lo, pois sabes
que ele existe, pois sente-o no coração. E talvez até
considere que se Eu sou feito de Amor, como dizem, e se eu existo,
então talvez tenha finalmente me encontrado também" (Poxa vida,
este é o Deus no qual eu acredito. Que ama e que liberta, não que
pune e castiga).
Já cheguei a tentar ser ateu,
mas não consegui. Porque eu sentia que faltava alguma coisa. Ser
ateu é a coisa mais irracional que alguém pode conceber. Pois eles
se consideram esclarecidos, mas não cogitam sequer a possibilidade
de Deus existir. Num Universo infinito, cheio de possibilidades,
cheio de fenômenos incríveis, não pode-se dizer simplesmente: Deus
não existe. Considero que Deus não seja como pintou a Igreja ou
determinadas religiões ou crenças, mas a existência de uma
Energia, a Força Maior regendo tudo isso. Para uma pessoa
esclarecida, essa possibilidade deve ser considerada e não negada
totalmente, mediante tantas circunstâncias - pelo menos é isso o
que eu acho (gostaria de deixar bem claro que eu admiro - e muito
- os ateus).
Por isso eu sei que não sou ateu.
Porque aceito a possibilidade de Deus. Até tive algumas
experiências sobre isso. Certo dia pedi que Deus aparecesse para
mim, para provar que existia. E tive um sonho onde uma mulher
sofria, gritava e agonizava, porque havia pedido uma prova, e
havia tido, havia visto, mas como ela não estava preparada, a
Visão para ela foi aterrorizante. Ela implorava que não queria
nunca mais ver aquilo. Mas era tarde. Ela havia ficado
traumatizada. Não preparada para a Luz, tornou Deus um demônio e
nunca mais iria querer vê-lo novamente. Outra vez fui conversar
com meu pai sobre Deus. Ele teve um centro de Umbanda. E me disse
que às vezes fazia coisas que jamais faria se não estivesse tomado
por um espírito. Quando no dia em que foi socorrer meu tio, e
pediu para que ele escarrasse no chão. Em seguida lambeu o escarro
e o ingeriu, porque aquilo fazia parte do processo de diagnóstico
do problema - dizia ele. "Isso é prova de que espíritos existem",
me disse. "Meu filho, eu jamais faria uma coisa nojenta como
aquela, se não tivesse sido possuído por um espírito, se estivesse
em sã conciência! E eu não tinha bebido, nem tinha usado
drogas, Aquilo aconteceu realmente". E eu acredito. Meu pai
jamais mentiria para mim. Finalmente, o fenômeno mais forte foi
quando num ritual aberto de um grupo Wicca, uma das das
participantes, que praticava vampirismo (sim, vampiros existem e
são pessoas que sugam nossa energia psíquica), nos atacou. Os
rituais eram sempre muito bons, alegres, divertidos e saímos todos
revigorados. Mas neste dia eu senti algo tão ruim, que desejei
nunca mais participar, porque se fosse para ser sempre daquele
jeito, eu não queria mais. Eu poderia julgar que eu havia passado
por uma indisposição. Mas ao comentar com minha esposa, ela me
revelou a identidade e intenção da mulher e me disse que havia se
sentido mal também. Coincidência? Pois bem, sem comentar mais
nada, com ninguém, outras pessoas foram pouco a pouco relatando o
mal estar que sentiram neste ritual. Mais um tijolinho da muralha
"intransponível" da fé havia ruído e eu passei a acreditar um
pouco mais no mundo espiritual.
Eu adiei a escrever este artigo por
muito tempo. Primeiro porque tinha medo de ser considerado um
mentiroso, depois de tudo o que escrevi (mas seria realmente se
não escrevesse este artigo logo). Segundo, porque tinha medo de
ser mal compreendido. Mas, enfim, "só a verdade vos libertará".
Eu sinto que tenho mais fé agora do que quando tinha medo de
encarar a verdade. Uma nova fase começa hoje em minha vida. Pois é
uma vida mais livre, de buscas e de aventura, de liberdade e de
sinceridade, principalmente comigo mesmo. E sinto que o Amor, essa
força maravilhosa, que existe e que eu estou sentindo neste
momento, já me alcançou. Eu acredito no Amor. Eu acredito que esse
deve ser o objetivo supremo de todo ser humano. Todas as religiões
concordam que Deus é Amor. Então será que sou o mais crente dos
crentes em Deus e ainda não sei? Por isso não me preocupo tanto
com o que os outros vão pensar de mim a partir de agora. Se Deus é
Amor, como todos dizem, ninguém pode me condenar, pois com toda
certeza do mundo, mesmo com minhas dúvidas e meu ceticismo, eu
encontrei meu Porto Seguro. Eu estou a salvo.
Lisandro