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Seja você mesmo, mas não
seja sempre o mesmo. 03/05/2008
É uma frase de Gabriel O Pensador.
Adotei-a como título deste texto após meditar sobre uma descoberta
que me manteve acorrentado durante 9 anos!
Tudo começou quando conheci a música
e a filosofia New Age. Inspirado pela maravilhosa e alternativa
música, acabei descobrindo que esse era o caminho que
deveria seguir. Junto disso me veio a Sabedoria da Nova Era, que
falava de mansidão, verdade, paz e Amor. Não sei por qual motivo me
deixei levar e cegar por um erro fatal e que acredito, muitos
cometem - eu achei que deveria ser como um santo. Achei que seguir
um caminho de paz, bondade e Amor, era o mesmo que adotar um
comportamento com o qual eu achava adequado caminhar. Mais ou menos
como viver da mesma maneira que os grandes mestres do passado
fizeram: Jesus, Buda, Ghandi... E caí na pior das armadilhas que
alguém, que segue um caminho espiritual poderia ter caído: viver um
personagem. Eu acreditava que deveria viver como uma pessoa mansa,
como uma pessoa calma, como uma pessoa ponderada, e não percebi que
com isso eu estava acabando com a minha própria personalidade, com a
minha própria vida. Sim, porque eu acreditava que deveria agradar o
mundo e as pessoas com as quais convivia. Que eu deveria fazer de tudo para que isso acontecesse - mas eu
estava errado. Percebi que isso me fazia viver e me comportar de
maneira diferente com as pessoas "comuns" e com as "espiritualmente
desenvolvidas". Tratava cada uma dessas pessoas conforme a filosofia
exigia. Insatisfação, vazio, depressão, doença: esse foi o resultado
final de haver vivido um personagem por tanto tempo. Esse foi o
preço que a vida cobrou. Vida que eu não havia vivido plenamente
durante 9 anos!!!
Passei a suspeitar e culpar as
situações à minha volta - alguns trabalhos que não condiziam com o
que eu desejava, meu casamento (eu acreditava ser essa a minha
prisão) e até mesmo meu trabalho musical, que tanto adoro, mas que
acreditei ser a causa de todos os meus problemas (era esse mesmo o
meu caminho?).
Passei a me perguntar o que havia de
errado, mas a resposta nunca vinha. Sabia que não estava sendo eu
plenamente, mas como mudar? Precisava tomar uma decisão e uma
atitude, pois, depois de tanto tempo, isso acabaria tendo um preço
ainda maior, mais cedo ou mais tarde. E quando descobri, que estava
vivendo um personagem, encontrei a resposta. E essa resposta
derrubou todos os grilhões e um novo mundo se abriu diante dos meus
olhos, com uma verdade absurdamente simples: eu deveria
simplesmente viver o meu caminho espiritual, com todas as leis de
respeito e Amor, mas sem jamais ter deixado de ser quem eu era! Sem
querer me mostrar ao mundo como um santo, um mártir. Sem querer ser
alguém que eu não era de verdade. Sendo exatamente quem eu sou, mas
com uma nova filosofia. E isso foi tudo o que precisei descobrir.
Com todo respeito (e não me interpretem mal), eu me sentia como uma
pessoa que, não gostando de ir a igreja, o fazia por obrigação, pois
achava que para ser bondoso, precisava fazer isso. Até que certo dia
ela percebe que ao invés de agradar a quem mais precisava, estava
tentando, na verdade, agradar aos outros. E que a bondade que tanto
procurava estava, na verdade, além das aparências, além das ilusões.
As portas se abriram, caminhei para
fora e a luz me cegou por um instante. Sorri, admirei o novo mundo
que se estendia diante de mim e fiquei feliz, por estar vivendo uma
nova consciência, uma nova/velha vida, por estar respeitando e
amando as pessoas, mas sendo exatamente a mesma pessoa que sempre
fora há tempos atrás. A crise de existência, depressão e falta de
sentido foram embora, junto com falsa vida que vivia.
Preste atenção e veja se você também
não está vivendo o seu personagem pessoal. Afinal, existe uma grande
diferença entre fingir, tentar e ser.
Lisandro.
Seja você mesmo
Mas não seja sempre o mesmo! |