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Mal de Alzheimer -
12/04/2008
Meu pai está com Alzheimer.
Logo ele, que durante toda vida se dizia "o Infalível".
Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as
minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto.
Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome
do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que
nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta
saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de
canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas
funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns
nas demências tipo Alzheimer. Aliás, fico até mais tranqüilo diante
do "eu não sei ao certo" dos médicos; prefiro isso ao "estou
absolutamente certo de que...", frase que me dá arrepios. Há trinta
anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita. Hoje,
precisaria ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos
relatados por amigos e clientes em suas famílias.
O que está acontecendo? Estamos diante de um surto de Alzheimer?
Finalmente nossos hábitos de vida "moderna" estão enviando a conta?
O que os pesquisadores sabem de verdade sobre a doença? Qual é o
lado oculto dessa manifestação tão dolorosa?
Lendo o material disponível, chega-se
a uma conclusão: essa é uma doença extremamente complexa,
camaleônica, de muitas faces e ainda carregada de mistérios.
Sabe-se, por exemplo, que há um componente genético. Por outro lado,
o Dr. William Grant fez uma pesquisa que complicou um pouco as
coisas. Ele comparou a incidência da doença em descendentes de
japoneses e de africanos que vivem nos EUA, e com japoneses e
nigerianos que ainda vivem em seus respectivos países. Ele encontrou
uma incidência da doença da ordem de 4,1 para os descendentes de
japoneses que vivem na América, contra apenas 1,8 de japoneses do
Japão.Os afro-americanos vão mais longe: 6,2 desenvolvem a doença,
enquanto apenas 1,4 dos nigerianos são atingidos por ela. Hábitos
alimentares? Stress das pressões do Primeiro Mundo? Mas o Japão não
é Primeiro Mundo? Não tem stress?
A alimentação parece ser sem dúvida
um elo nessa corrente, e mais ainda o alumínio. Segundo algumas
pesquisas, a incidência de alumínio encontrada nos cérebros de
portadores da doença é assustadoramente alta. Pesquisas feitas na
Austrália e em alguns países da Europa mostraram que, em ratos
alimentados com uma dieta rica, o sulfato de alumínio (comumente
colocado na água potável para matar bactérias) danificou os cérebros
dos roedores de forma muito similar à causada nos humanos pelo
Alzheimer. Pesquisas do Dr. Joseph Sobel, da Universidade da
Califórnia do Sul, mostraram que a incidência da doença é três vezes
maior em pessoas expostas à radiação elétrica (trabalhadores que
ficavam próximos a redes de alta tensão ou a máquinas elétricas).
Mas não param por aí as pesquisas, que apontam a arma em todas as
direções. Porém, a que mais me chocou e me motivou a fazer minhas
próprias elucubrações foi o estudo das freiras. Esse estudo, citado
no livro A Saúde do Cérebro, do Dr. Robert Goldman, Ed. Campus foi
feito pelo Dr. Snowdon, da Universidade de Kentucky. Eles estudaram
700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade, eles leram e
analisaram as redações autobiográficas que cada freira era obrigada
a escrever logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas tinham
em média 20 anos. Essas freiras (um dos grupos mais homogêneos
possíveis, o que reduz muito as variáveis que deveriam ser
controladas) foram examinadas regularmente e seus cérebros
investigados após suas mortes. O que se constatou foi surpreendente.
As que melhor se saíram nos testes cognitivos e nas redações - em
termos de clareza de raciocínio, objetividade vocabulário,
capacidade de expressar suas idéias, mesmo apresentando os acidentes
neurológicos típicos do Alzheimer (placas e massas fibrosas de
tecido morto) não desenvolveram a demência característica da doença.
Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as outras freiras com
Alzheimer diagnosticado (e que tiveram baixos escores em testes
cognitivos e na redação), mas não os sintomas clássicos, como os do
meu pai.
A minha interpretação de tudo isso:
não temos muito como controlar todos os fatores de risco apontados
como os vilões - alimentação, pressão alta, contaminação ambiental,
stress, e a genética (por enquanto). Mas podemos colocar o nosso
cérebro para trabalhar.
COMO?
- Meu conselho: é para vocês não
serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo nunca,
pois dali, só há um caminho: descer. Inventem novos desafios,
façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não
nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo
atrás dos vazios e lapsos. Eu não sossego enquanto não lembro do
nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há
trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e
aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos. Não existem
estudos provando que o Alzheimer é a moléstia preferida dos
arrogantes, autoritários e auto-suficientes, mas a minha
experiência mostra que pode haver alguma coisa nesse mato.
Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades:
7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas "bobagens" e viveram
vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência
disso. Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro.
Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a
cozinha? Hum... Preocupante.) Lute, lute sempre, por uma causa,
por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse
"melhor morrer de vodca do que de tédio", eu digo: melhor morrer
lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo
Alzheimer.
- Evite bebidas e alimentos em
embalagem de alumínio, principalmente as latinhas de refrigerante
e cerveja. Elas possuem uma alta concentração de alumínio na
bebida;
- Cozinha em panelas de ferro. Ou de
tefoln. Evite de alumínio;
- Pesquisas revelam que o uso de
adoçantes causam mal de Alzheimer. Use adoçantes à base de Stévia.
A marca Stevita é um desses exemplos.
- Refrigerantes diets e lights, que
possuem Fenilalanina também são prejudiciais. Prefira os com
sacarina ou sucralose. Ou melhor, troque o refrigerante pelo suco,
de preferência natural.
Dicas para escapar do Alzheimer:
Uma descoberta dentro da Neurociência
vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de
crescer e mudar o padrão de suas conexões. Os autores desta
descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que
NEURÓBICA, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício
cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando
novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu
cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que,
apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual,
escondem um efeito perverso; limitam o cérebro. Para contrariar essa
tendência, é necessário praticar exercícios "cerebrais" que fazem as
pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na
tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as
rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Tente fazer um
teste:
- use o relógio de pulso no braço
direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal
treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, faça alguma
coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro. Vale a
pena tentar! Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de
lado? Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o mouse
com a mão esquerda, nem que seja por alguns minutinhos?
FAÇA ESTE TESTE E PASSE ADIANTE PARA
SEUS AMIGOS.
Roberto Goldkorn escreveu este
artigo. Ele é psicólogo e escritor.
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